segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019


CRUZEIROS, SANDRA ANNENBERG E EU


               Acabei de fazer mais um cruzeiro. Dessa vez o tempo de viagem foi menor, pois foram apenas três dias. Vai pra conta do sexto cruzeiro feito. O penúltimo que fiz também foi muito legal porque conheci quatro ilhas caribenhas e pude ficar em Cuba e conhecer esse excêntrico  maior país caribenho ( excêntrico para nós capitalistas).
               Voltando à minha viagem de férias, ou seja, meu último cruzeiro, posso dizer que foi um destino diferente. Decidimos pegar o navio no meio de seu roteiro, em Salvador, para poder antes desfrutar do calor, do sol e da energia nordestinos. Fomos de avião e partimos para Praia do Forte, em Mata de São João. Indico com força essa rota porque tem muita praia boa, gente sorridente e tartaruga. Praia do Forte é uma aldeia de pescadores e é um charme de lugar.
               A volta foi de cruzeiro. Eu queria conhecer um enorme navio chamado Fantasia da MSC. Gigantesco navio com elevador panorâmico, piscina retrátil e uma escada de swaroviski. Essa viagem me deu a oportunidade de ficar dias de chinelo vendo tartaruga, sem maquiagem, andando de bicitáxi, esquecendo até de hidratar o cabelo. E voltei aproveitando alguns dias de piscina, jantares, salto alto e shows fantásticos. Um luxo o navio.
               E onde entra a Sandra Annenberg, ora citada no título, nessa história? Certa vez ouvi a repórter, que por sinal amo de paixão por sua espontaneidade ao apresentar o Jornal Hoje, dizer que odiava cruzeiros pelo furdunço que são.  Durante a viagem de volta pensei muito na Sandra.
               Os navios são luxuosos e enormes. Você tem diversão a toda hora e pra todos os gostos. Eu gosto muito, mas Sandra Annenberg está coberta de razão: é um furdunço só! Aconselho a entrar no clima, se deliciar com a comida e paisagem, sair toda elegante na noite do jantar com o comandante (rimou!) e aproveitar. Segue uma NOT TO DO LIST e outra TO DO LIST. Veja em qual você se encaixa:
·        Se você não se importa com ambientes super lotados, vá e se jogue! Aproveite os lounges com diversos gêneros musicais.
·        Se curte uma piscina de água salgada ao som de Michel Teló  - acabei de ter um flashback do cruzeiro ao Caribe. Ao chegar em Cuba, entrando no navio, fui recepcionada com “Ai se eu te pego, ai, ai, ai se eu te pego”. Confesso que isso me chocou. Em Cuba? Ok, já superei.) –Annita e outros hits do tipo com direito a animadores fazendo brincadeiras e quizzes, é o programa perfeito pra você. Caso contrário não vá. Não há sossego e achar uma espreguiçadeira é um milagre e às vezes sai até briga por elas.
·        Se você gosta de comer bem será perfeito pra você fazer um cruzeiro. Os jantares gourmets com entrada, prato principal e sobremesa são maravilhosos. Vá e pense na dieta depois. No entanto há o almoço (ou jantar pra quem não curte comida gourmet) no restaurante self-service vinte e quatro horas que costuma ser próximo à piscina em que comemos em bandejas. Não é prato é um bandejão. A sensação que se tem é que faltará comida pelos próximos dez anos. Só se vê montanhas de alimentos nos pratos alheios. Foque no seu hábito alimentar, se for possível, e siga forte. Se detesta tumulto, tilintar de talheres, falatório e filas não vá.
·        Se você não se importa de esperar calmamente pelos lindos elevadores  e ignora e tem paciência com pessoas que cheguem depois de você e entrem na sua frente correndo, vá. Você terá que pegar, talvez, um outro elevador porque haverá apressadinhos que devem ter seus motivos pra correrem assim estando de férias atrás de elevadores ou de um prato de comida. De férias a única pressa que tenho é de relaxar. Se não suporta algumas deselegâncias não vá.
Citando a Sandra de novo, ela sempre fala da importância da elegância (mais uma rima). O fato é que os cruzeiros vendem uma elegância inexistente e concordo com Sandra sim, são um furdunço. Como, em um curto espaço de dias, quatro mil pessoas juntas conseguem ser elegantes o tempo todo? No way baby.
Em um cruzeiro esqueça, de vez em quando, a elegância e educação alheias. Foque na sua própria elegância, resgate sua paciência interior em alguns momentos e desfrute do que há de melhor: as ondas quebrando no casco do navio sob um lindo céu azul. Não deixe de ver o mar à noite iluminado pela lua deixando um rastro de espuma branca, inspire e aproveite a maresia que vem com o vento. Faça você o seu cruzeiro. Guarde esses incríveis prazeres sensoriais só pra você porque na sua cabine, neste delimitado pequeno espaço comparado ao todo da embarcação, quem manda é você e até meditar ao som das ondas e observar uma gaivota que segue o navio (e pensar que ela está te seguindo há dias) é possível. E sim vai te fazer muito feliz.
               Indico e encorajo a experiência para quem ainda não se aventurou. Só não posso deixar de dizer: por via das dúvidas, leve seu remédio para enjoo. Só precaução. Nunca se sabe. Depois desfrute, após a descida do navio, de alguns dias ainda com a sensação flutuante no corpo mesmo estando com os pés cravados no chão. Nada que estragará suas lembranças dessa viagem. O que está fazendo aí que ainda não escolheu seu roteiro marítimo?