domingo, 15 de março de 2015

CAMINHEMOS ENTÃO PORQUE EM MOVIMENTO NOS TRANSFORMAMOS

Quero acreditar que estamos em processo de educação política. Preciso acreditar nisso ou meu trabalho na educação perde todo o sentido. Quero acreditar que estamos errando tanto para chegar em algum lugar melhor. Preciso acreditar nisso.
Preciso crer que todo esse panorama descrente e corruptível faz parte de uma longa caminhada ao aprendizado de nos tornarmos seres conscientes e engajados de fato no processo de transformação de nosso país.
Em tantas mobilizações, muitas dessas, estapafúrdias, engraçadas até, vemos pessoas se pronunciando contra ou a favor do que estamos vivendo. 
À parte de suas reais motivações, vejo tais manifestações de forma positiva. Passamos anos e anos com uma geração, pós geração caras-pintadas, de seres apáticos e inertes politicamente. 
Se estamos meio tortos ainda nas expressões que vemos, que tenhamos um pouco de paciência. Afinal em um país onde não se valoriza a educação, a educação política não se dá do dia para a noite.
É um longo trilhar de erros e acertos. Mas imbuídos de estado de cidadania de fato conquistaremos a posição que almejamos de um país menos corrupto e mais justo com seus cidadãos.
Difícil ser otimista, porém a máscara do pessimismo nunca me caiu bem. Talvez por ser máscara. Enfim, vamos caminhar,  em frente, cabeça erguida sem esquecer de  discutir, reclamar, argumentar, expor conceitos, porém sem esquecer que nosso compromisso certeiro está nas urnas. É nela que colocamos de fato nosso poder. É nela que a liberdade adquire forma. Respeitemos a decisão popular, Aguentemos ou celebremos a decisão das urnas. Lembrando sempre que, apesar dos percalços, em uma democracia poderemos impor novamente nossa vontade nas próximas eleições. Rezemos então para que nas próximas urnas estejamos mais mobilizados e politicamente educados.


domingo, 28 de dezembro de 2014

SENTIR OS SENTIDOS

Vivemos tão acelerados, tão automatizados, por vezes até tão amargurados mesmo sem saber disso, que nos esquecemos de quem realmente somos.
Interiorizamos nossa condição de seres mortais e seguimos adiante olhando pra frente. Mas estamos esquecendo de olhar para os lados nesse trilhar que se chama vida. Nesse breve espaço entre o nascer e o morrer deixamos o que é de fato importante e menosprezamos nossa condição de ser, simplesmente ser.
Porque simplesmente somos, sentimos. E nos esquecemos disso. Não falo de sentimentos que nos invadem diariamente. Estou falando de sentidos. De nossos simples e abençoados sentidos. Fomos agraciados com sensações diárias e nem sequer nos damos conta delas.
Sequer nos atemos a deliciosa sensação de sentir o vento no rosto, seu barulho em nossos ouvidos, nas copas das árvores. E  o sol ? Quantas vezes de fato paramos para simplesmente desfrutar da sensação calorosa queimando nossa pele ?
Vivemos em uma sociedade barulhenta, mas será que estou ouvindo tudo mesmo ao meu redor ? Pássaros, folhas, chuva, música boa... Também sabemos que hoje come-se muito e por isso vemos campanhas de se ter uma alimentação e estilo de vida mais saudável- o que realmente é muito válido. Porém ou se come demais ou de menos. Há aqueles que se empanturram, as festas de final de ano que o digam, e há aqueles que decidiram cortar tudo - o pobre do glúten que sempre foi comido agora é vilão. Não critico nem um nem outro, mas onde está o saborear dos alimentos ? O saborear que começa na contemplação na hora da escolha do alimento, no seu preparo ou simplesmente na sua mais pura degustação. Muitos de nós perdemos isso.
No dia a dia maçante não valorizamos as incríveis paisagens a nossa frente, que nos são dadas de graça diariamente. Não olhamos para o lado, não olhamos a flor que desabrochou, não olhamos nos olhos das pessoas, sequer levantamos o pescoço para contemplar o céu. Será que hoje você já viu o céu ?
Essas questões me vieram hoje não sei o porquê. Em um simples passeio com minha cachorrinha percebi como o vento estava delicioso, o barulho das árvores, o sol delicioso e quente, o som dos pássaros e pensei como nos furtamos diariamente de sensações assim. Também não pude deixar de lembrar do filme "Cidade dos Anjos" que fala de uma forma bem romântica desse dom raro que nos foi dado - meros mortais imperfeitos: nossos sentidos.
Convido a todos que hoje sintamos , cada um de sua forma e gosto individual, um pouco de cada um de nossos milagrosos sentidos para que tenhamos o prazer de ter prazer pelo que somos.Simples assim.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

AMARELINHA

Joga a pedrinha
Até o céu alcançar
Pula num pé só
Sem desequilibrar.

Não vale pisar na linha,
Nem errar a quadrinha.
Vai e volta direitinho,
Pedra na mão, olho no pezinho.

Nesse vai e vem
Nesse pula pula
Ninguém se atreve a parar
Pois aqui o céu não é o limite
E a vida só vai começar...



terça-feira, 7 de outubro de 2014

O PIÃO

Rodopia o pião
puxado pelo cordão
Rodopia sem parar
querendo o chão furar.

Roda, roda, roda
fazendo a cabeça girar
Na volta que traça,
encanta a praça.

Mexe com tudo
e assim muda o mundo.

Gira, gira o pião
e girando vai
entrelaçando o meu coração.

A CORDA


A corda bate no chão
e no mesmo compasso
pula o menino com toda a atenção.

A corda bate no chão
e no mesmo compasso
o pezinho sujo salta do chão.

A corda bate no chão
e no seu compasso
no rosto do menino faz um traço.

Já não lembra do estômago vazio
nem do pé descalço
Esquece que há muito não ganha um abraço.

No compasso da fantasia
vale a alegria
e o desejo de não errar.

A corda bate, bate, bate
mas bate com carinho.
O menino pula, pula, pula
e não quer mais parar.

A corda bate,
mas não faz o menino lembrar
que a vida também nele bate bem devagar,
sem parar.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A SAUDADE QUE ME FAZ CHORAR, CHORAR DE ALEGRIA


Às vezes nos deparamos meio tristes, melancólicos, sorumbáticos (não resisti a incluir esse adjetivo que tanto meu pai falava - talvez até pelo fato da saudade nos reportar ao passado) e lutamos para fugir a esses sentimentos, brigamos para não senti-los, esquecê-los ou até mesmo tentamos escondê-los. Afinal vivemos em uma sociedade de fachada onde todos postamos a todo momento o quanto somos felizes e reconheço que somos sim felizes, mas não a todo momento.
Ninguém passa pela vida sem vivenciar a dor, a renúncia, a frustração, o medo, a inveja, a raiva e tantas outras emoções e aflições. Tão pouco deixa de sentir ela, a saudade.
Hoje quando acordei e vi um lindo dia de sol, sol de primavera e abri as janelas do meu peito (opa não posso plagiar Beto Guedes), e vi lindas flores e os olhos inocentes e cheios de amor dos bichinhos que temos em nossa casa, percebi quantos milagres de Deus temos a nossa volta todos os dias.
Mas não é que de repente me deparei com ela, a saudade. E não é que ela estava ali.
Parei e pensei: de que tenho tanto sentido falta? Não sei. Realmente não sei. Será de mim mesma? Será saudade daquela menina que fui? Mas como assim? Essa menina ainda está aqui. Será que está? Não sei.
Será saudade daqueles que amamos e não estão mais conosco? Será saudade daqueles amigos mais queridos que deixamos de visitar, sair, conviver? Ou será uma saudade daquilo já vivemos e amamos viver, momentos tão preciosos que nos deixaram doces saudades? Também não sei.
O que sei, ou melhor, o que sinto é que a saudade aumenta ao passo que ficamos mais maduros. Com o passar dos anos, colhemos tantas experiências, perdemos, ganhamos e continuamos seguindo todos os dias em frente em busca de nós mesmos.Quanto mais caminhamos, mais temos por lembrar e sentir saudades.
Que fique claro que esta saudade de que falo não é aquela saudade que te aniquila, deprime, mas aquela que te faz chorar, chorar de alegria! É essa que quero enfatizar. Às vezes estamos com saudade e não deprimidos,
Tão bom poder ter saudade ! Se tenho saudade de algo é porque vivi, senti. Quantas pessoas passarão em branco pela vida? Muitas, infelizmente. Como estou feliz de sentir ela, a saudade. A saudade que me faz lembrar das pessoas queridas que pude conviver, mesmo não podendo mais. Daqueles momentos lindos que se embala e amamenta seu bebê, momentos que você sabe que não voltarão mais, mas que são eternamente seus. Relembrar do colo de mãe, das brincadeiras de irmãos, da alegria de se ganhar um cachorro (novo membro da família), enfim elas, as saudades são tantas que nos fazem chorar, chorar de alegria por poder senti-las.Que delícia tê-las ao meu lado! Que triste quem não as têm...
Vamos então encarar quanto ela, a saudade,  der o ar da graça. Vamos sentir, relembrar e até chorar se der vontade, mas depois é enxugar as lágrimas, abrir um sorriso sincero e olhar para o horizonte pois é lá que está o nosso nascer e pôr do sol de todos os dias.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

PERDAS DIÁRIAS, PERDAS ETERNAS

Em tempos de tantas discussões sobre nossos direitos e deveres como cidadãos, discussões essas essenciais e salutares, muito tenho ouvido sobre o sofrimento de mães que criam sozinhas seus filhos sem  ajuda financeira e, principalmente, afetiva dos pais. Creio que cada um de nós conheça um caso ou mesmo o viva diariamente.
         Entre as angústias, rancores e medos que insuflam o coração dessas mulheres e a ânsia de ter os direitos de seus filhos respeitados, ficam também  crianças e jovens em meio a um emaranhado de sentimentos perdidos e incompreendidos. Se, por sua vez,  a justiça vem como protetora dos direitos básicos de subsistência de menores que devem ser resguardados, ela é capenga e sempre  será na questão da afetividade. Afinal cobrar uma pensão é viável, mas afeto não.
O afeto não tem como ser cobrado, exigido, forçado. E é nesse aspecto que compreendo a revolta das mães sós que afetivamente criam sozinhas de forma heroica seus filhos.  Se ainda conseguem cobrar direitos judiciais, sentem-se fracas por não conseguirem o que de fato queriam: sentir seus filhos amados pelos pais de forma voluntária.  Mas amar é de graça e mostrar amor também. Não há como forçar demonstrações de afeto.
Apesar da agonia de se culparem por ter achado o “pai errado”, de sentirem o sofrimento nos olhos de seus filhos e tentarem se desdobrar pra suprir o que nunca será suprido, elas estão infinitamente perdoadas sem precisarem ser, pois são verdadeiras vencedoras.
Perdedores são aqueles que, por vontade própria, se furtam não às obrigações,  mas aos prazeres diários de ser um pai atuante. Se  furtam de ouvir relatos diários do crescimento pessoal de um filho. Se  ausentam de um abraço no final de um dia cansativo, de uma gargalhada gostosa, de um cineminha no domingo, de um papo em frente à TV. Enfim, perdem o mais gostoso da vida que é sentir o coração mais quente junto ao filho amado.

Quem pouco dá muito perde e quem muito dá só se abastece. Para os que ainda não acordaram, para os cegos e secos de afeto, podem ser apenas pequenas  perdas diárias de convívio, mas que certamente se transformarão em perdas irreparáveis e eternas.